27 setembro, 2006

Lua adversa
Tenho fases, como a lua.
Fases de andar escondida,
fases de vir para a rua...
Perdição da minha vida!
Tenho fases de ser tua,
tenho outras de ser sozinha.
Fases que vão e vêm
no secreto calendário
que um astrólogo arbitrário
inventou para meu uso.
E roda a melancolia
seu interminável fuso!
Não me encontro com ninguém
(tenho fases, como a lua...)
No dia de alguém ser meu
não é dia de eu ser sua...
E, quando chega esse dia,
o outro desapareceu...
Cecília Meireles

8 comentários:

zamy disse...

Gostei de a visitar.
Este poema da CM eu chamar-lhe-ia " a ambivalência do desencontro" ou muito simplesmente " o medo bipolar". Dará para dissertar?

Entre os teus lábios disse...

Acredito que possamos dissertar independentemente do assunto, basta querer.
Mais uma vez em desacordo, 'medo bipolar'? Não, é querer e sem saber o que querer (ou quem).
'Andar perdida entre as gentes'

Bandida disse...

Quando o novo bater à tua porta, abre-lha! É importante deixar entrar a luz...

Entre os teus lábios disse...

Bandida:
Como saberemos que será a 'luz'? Poderá aparecer das mais variadas formas...

:)

Francesca Lambruscco disse...

Carissíma,

Obrigada pelo seu comentário :) E a meu ver, isso das almas gémeas é apenas mais um cliché remetido para a fé que pensamos ter de sentir para certas coisas acontecerem...tenho pouca fé mas mesmo assim continuo a viver. Quanto ás partidas são sempre coisa inerente a sentires.

Beijo-a

manhã disse...

Bem verdade, as fases como a lua, cheia, minguante and so on,a lua como nós, nós com a lua...

Bandida disse...

entre os teus lábios: Pois, mas é sempre luz... nem que seja azul...:)

linhas tortas disse...

Bonito poema! Tbém tenho fases e agora ando numa de andar escondida, daí o blogue! Obrigada por teres lá ido.

Bom fim de semana.